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Site Atualizado em 17/04/2008
Uma História Engraçada
Ana Lúcia Loureiro Sampaio

I


Numa bela tarde de verão, por volta de 1838, um circunspecto e pensativo cavalheiro Inglês, em férias no campo, fazia o seu passeio diário por uma estrada estreita, rodeada de arbustos perfumados. Tudo era paz e tranqüilidade. Derrepente, ao terminar de contornar uma curva em cotovelo, ouviu vozes alteradas, em discussão feroz. Curioso, escondeu-se atrás de uma árvore, para poder observar melhor a cena de onde provinha o vozerio. Era um mensageiro do correio, tentando entregar uma carta a uma jovem e robusta camponesa, que se recusava a assinar o recebimento da correspondência, sem antes ver o envelope. Relutante, o mensageiro acabou tirando a carta da bolsa, deixando a moça pegá-la. A moça olhou bem de um lado e de outro, revirando o envelope agilmente nas mãos. Passados uns instantes, devolveu-a ao homem, dizendo não desejar receber a tal carta. O carteiro ficou furioso, insistindo e a jovem mais ainda em sua teima.
A discussão tornava-se cada vez mais acalorada, quando o velho senhor resolveu intervir, perguntando à camponesa o porquê de sua recusa. Receosa, diante de um nobre tão bem trajado e parecendo muito importante, a jovem mudou de tom e torcendo nervosamente as pontas do grande avental encardido, começou a lamentar-se, dizendo não ter dinheiro para pagar pela entrega da carta. Penalizado, o cavalheiro ofereceu-se para dar-lhe a quantia , e assim terminar de vez o lamentável episódio.
O carteiro, não mais se contendo exclamou enraivecido: Senhor! É um embuste. É sempre assim com esta gente. O nobre cavalheiro não imagina o quanto é difícil lidar com estes campônios miseráveis! Olham e olham os envelopes e jamais aceitam as cartas. Volto todos os dias com sacola cheia, tal e qual saí da agência na cidade. O meu chefe já não agüenta mais devolver para Londres, todas as cartas que chegam nesta região e, receber de volta as recriminações de seus superiores. Depois é comigo que ele briga!
Fingindo não ter dado ouvidos ao mensageiro, voltou-se o senhor novamente para a jovem, insistindo em pagar pela carta. Afinal a moça acabou aceitando. Após entregar a moeda ao carteiro, que seguiu seu caminho satisfeito, o cavalheiro pediu bondosamente para camponesa que lhe dissesse a verdade. Envergonhada, corando até as raízes dos desgrenhados cabelos louros, a moça contou ser muito pobre mesmo e não poder dispor do valor da tarifa cobrada pelo agente da cidade. O noivo estava trabalhando em Londres, a fim de juntar algum dinheiro para poderem casar. Ela também precisava economizar cada penny. Mas, a saudade era muita e maior ainda a preocupação que sentiam um pelo outro. Assim, combinaram um código especial, feito com determinados sinais postos no envelope, na frente e no verso, dependendo da posição, já diziam tudo, não havendo necessidade alguma de abri-lo, para saber o que continha a carta. Esta, na verdade, não passava de uma folha de papel em branco, sempre reaproveitada pelo rapaz, para quem era devolvida. Disse ainda, não ser só ela e o noivo que enganavam o carteiro, ali naquela região, todos faziam assim.
O cavalheiro desandou numa tremenda gargalhada, afagou o rosto da moça e seguiu seu caminho satisfeito, esfregando as mãos, resolvido a tomar providências, assim que terminassem as férias. Ainda teria um pouco de tempo para pensar e encontrar uma solução. Afinal, o grande mistério estava desvendado!!!

II


Antes da criação do selo postal, era o destinatário quem pagava a tarifa postal, que variava muito, conforme a distância percorrida. O destinatário não podia ser obrigado a receber e pagar a tarifa. Assim, havia sempre uma devolução muito grande de correspondência rejeitada, ocasionando o prejuízo dos correios, com despesas enormes para manter agências na maior parte das cidades.
O nobre cavalheiro do fato narrado a cima, era sir Rowland Hill, dirigente geral do correio britânico. Diante dos fatos tão bem expostos na engraçada ocorrência, tomou consciência da necessidade urgente de uma reforma radical no método operacional dos correios. A melhor forma encontrada, para fazer o remetente pagar pelo transporte e entrega da correspondência, foi a de fixar na carta uma espécie de recibo, indicando ter sido paga a tarifa postal. Assim, no dia 6 de maio de 1840, o selo postal nasceu na Inglaterra.
Foram emitidos dois selos: o Penny Black, assim chamado por ser um selo preto, valendo 1 penny, na época, a menor fração da Libra, o dinheiro inglês e o Two Pence Blue, um selo azul de dois pences. Ambos traziam impressa a efigie da Rainha Victória, quando jovem. O desenho foi feito por Henry Corbould, inspirado em uma medalha gravada por Willian Wyon e as gravações usadas para fazer os selos, foram feitas por Charles e Frederik Heath. A impressão foi feita pela firma Perkins, bacon and Petch em talho-doce.
O sucesso dos primeiros selos postais foi grande. O aumento considerável da receita dos correios ingleses serviu de estímulo para os outros países adotarem o mesmo sistema de cobrança de tarifa postal. Imediatamente após as primeiras emissões da Inglaterra, o cantão suisso de Geneve e o de Zurique também lançaram seus selos, porém apenas para circulação interna nos cantões. O segundo país a emitir selos postais, foi o Brasil , em 1843, pondo em circulação três selos, com grandes algarismos gravados em preto, 30, 60 e 90, representando o valor em réis dos mesmos, os famosos “Olhos de Boi”, como foram apelidados.

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