A
única dificuldade que existe na Filatelia é estabelecer
uma unidade de trabalho. Isto é: tomar uma decisão
a respeito do tipo de coleção que se pretende
fazer. Selos agrupados sem qualquer critério não
podem ser chamados de coleção; são juntações
dispersivas, sem qualquer objetivo , beleza ou originalidade.
Optar por uma unidade de trabalho é um assunto delicado,
pois ela irá ganhar corpo e alma , de acordo com as
afinidades de espírito de seu criador. Exige reflexão
profunda e sem influência de terceiros, sobre gostos,
aptidões, conhecimento e tendências da personalidade.
Para que a Filatelia
seja realmente uma forma de realização
pessoal e fonte de prazer.
São
vários os tipos de coleções que se
podem fazer, adaptando-os aos gostos, identificação
e poder aquisitivo do colecionador. Uma coleção é qualificada
pela sua ordem, limpeza e harmonia entre os seus elementos
e, mais ainda, pela sua originalidade. Não importa
se os selos são caros ou baratos, ou se é
formada com peças raras ou material comum. Importa
apenas que haja um elo entre os selos nela contidos, mantendo
a continuidade da unidade de trabalho e um visual bonito.
O
custo de uma coleção de selos deverá ser
determinado pela quantia que se pode gastar com ela mensalmente.
Tal custo será
considerado como despesa e não como investimento.
O dinheiro é
gasto e não retorna a curto prazo a não ser
em forma de satisfação pessoal, cultura e realização.
O hobby é a finalidade e não o meio para atingir
o fim. Jamais pensar em fazer uma coleção para
vende-la imediatamente com lucro. Investir em selos é algo
muito diferente de colecionar selos. A longo prazo, a coleção
de selos pode ser considerada como uma poupança de
rendimento moderado ou, pelo menos uma forma agradável
de juntar algum dinheiro e ter ao mesmo tempo uma excelente
forma de lazer constante e saudável. Bem melhor que
outras ocupações, nas quais só se empata
dinheiro e, depois, nada se recupera.
I
- A COLEÇÃO CLÁSSICA OU TRADICIONAL
É
a coleção que se faz de um ou mais países,
organizando os selos pela ordem cronológica de emissão;
para isso, é
indispensável ter catálogo para classificar
e arrumar os selos. Cada selo tem um número de catálogo
e é por essa numeração existente no
catálogo que a coleção deve ser arrumada,
no álbum, ou classificador. Não há
qualquer mistério. Esteticamente dizemos que a coleção
fica melhor se for feita só com selos novos ou só com
selos usados, mas é praticamente impossível
ou caro demais encontrar a parte clássica toda nova,
como também é dificílimo encontrar os
selos modernos usados. Assim, o comum é vermos as
boas coleções com os clássicos usados
e os demais novos. Por clássicos entendemos os selos
até 1920. O que não fica bem é misturar
selos usados e novos em uma mesma série.
II
- A COLEÇÃO REPRESENTATIVA UNIVERSAL
Esta
é uma coleção muito livre, que dispensa
o uso de catálogo, a organização baseia-se
no Guia de Países. O objetivo é ter um pouco
de selos de cada país e arruma-los por ordem alfabética
de países. Entretanto, não é
só ter alguns selos e colocá-los no classificador.
O certo
é estudar um pouco sobre cada país, escolher
os selos condizentes ao mesmo, isto é selos que sejam
pertinentes a cultura do país em questão. Vamos
dar como exemplos os selos do Brasil: vamos por um pouco
da nossa fauna, da nossa flora, do nosso folclore, da nossa
arte e alguns dos personagens mais importantes. As emissões
brasileiras são bem regradas e versam apenas sobre
o que é nosso. Há, porém, países árabes,
asiáticos, africanos e mesmo americanos, que fazem
selos sobre uma porção de coisas como: arte,
exploração do espaço, transportes e
personalidades, que não lhes são peculiares.
Assim é
preciso ter muito cuidado na escolha dos selos que serão
utilizados na representação destes, restringindo-se
mais a fauna, flora e folclore. Fica bonito se junto com
os selos forem também colocadas as cédulas
do dinheiro, bandeiras e mapas dos países. Este tipo
de coleção é muito educativo e é bem
próprio para as pessoas que gostam de história
e geografia.
III
- COLEÇÕES DOS GIROS DE SÉRIES
A
cada ano surge algo que uma grande parte dos países
comemora com uma emissão de selos. Um exemplo bem
marcante foi a grande emissão de selos surgida logo
após a morte de Lady Diana, ou então, como
durante o ano de 1999 começaram a sair as séries
sobre o milênio. Há sempre um aniversário,
um ano internacional, um evento para dar ensejo às
emissões dos quatro cantos do mundo. São
sempre selos muito bonitos que podem ser arrumados por
ordem alfabética de países, dispensando o
uso de catálogo.
É só ir acompanhando o lançamento das
novidades.
IV
- COLEÇÃO DAS SÉRIES QUE EU GOSTO
Este
é o tipo de coleção mais livre que existe.
Exige apenas que as séries sejam completas, sejam
elas novas ou usadas. Não obedecem a lei nenhuma a
não ser a do próprio gosto. Devem, entretanto,
estar arrumadas por ordem alfabética de países.
Se alguém chegar e perguntar: mas que coleção
é esta? O filatelista responderá : das séries
que eu gosto.
Por
incrível que pareça, é uma opção
excelente para gente indecisa que ainda não sabe direito
o que irá colecionar. Depois, quando se decidir por
fazer qualquer outro tipo de coleção, é sempre
mais fácil se desfazer das séries completas
do que de uma porção de selos isolados. Mas
esta coleção pode ficar tão bonita ou
até mais do que outras estudadas e elaboradas, por
causa da variedade de países e assuntos.
V
- COLEÇÃO TEMÁTICA
A
coleção temática é aquela que
se faz apenas sobre um único assunto. São
muitos os temas que se pode escolher. Para alguns existem
catálogos o que facilita muito. Existem catálogos
atualizados de : Aves, Insetos e Borboletas, Répteis
e Animais Pré-Históricos, Vida Marinha, Xadrez,
Trens, Escotismo, Astronáutica, Cogumelos, Gatos,
WWF (animais protegidos, aqueles selos de bichos que tem
um emblema com um pandinha em um dos cantos) Mas outros,
para os temas mais comuns, inclusive Disney, já estão
prestes a sair.
Mas há temas que o próprio colecionador terá que
vasculhar, com estudo e pesquisa. São os temas pouco
comuns, versando sobre assuntos bem mais restritos como por
exemplo: Computador, Mãos, Dentes, Papai-Noel, Psicanálise,
Pinturas, Música, Trajes, Brasões, Literatura,
etc hoje em dia é possível fazer coleção
temática sobre quase tudo que se queira fazer;
é só ter criatividade e paciência para
procurar os selos.
A organização e montagem de uma coleção
temática irá depender muito do gosto de cada
colecionador, ele próprio fará as suas regras.
VI
- COLEÇÃO DE SELOS POR TIPO
Existem
selos de vários tipos, mas os principais que alguns
destacam dos demais para colecionar separadamente são:
regulares, comemorativos, aéreos e blocos. Estas
coleções geralmente são de caráter
universal e não dispensam o uso de catálogos.
São coleções grandes e dispendiosas,
quando bem feitas. Significa colecionar um único
tipo, ou só regulares, ou só comemorativos,
ou só aéreos, ou só blocos. Geralmente,
para facilitar, os colecionadores começam por blocos
de países reunidos em um único volume de
catálogo. Os selos são organizados por países,
pela ordem de catálogo e dentro da ordem de países,
são arrumados por número de catálogo.