Existem
várias formas de organizar uma coleção
temática. A mais simples de todas, é separando
os selos por países e colocando os países
em ordem alfabética e dentro de cada país,
arrumando os selos em ordem cronológica de emissão.
Esta maneira de organizar, é na verdade apenas uma
forma para guardar os selos em ordem até o momento
de parar e pensar propriamente na montagem definitiva da
coleção.
Dependendo do assunto escolhido é que irá se
criar o roteiro , que nada mais é do que um guia ou
um enredo que servirá
de base para o desenvolvimento da coleção.Tomemos
como exemplo a fauna que é muito ampla e pode ser
vista sob diversos aspectos. Poderíamos simplesmente
pensar em colecionar selos de animais e ir juntando tudo
indiscriminadamente. Não deixa de ser uma coleção
de fauna e, muitos dos grandes colecionadores assim a fazem,
fica muito bonita, é riquíssima, mas não
tem aquele aspecto original e criativo que irá revelar
o espírito do colecionador. Uma coleção
feita desta forma é
interminável e muito cara, pois o objetivo principal
do colecionador
é possuir todos os selos emitidos sobre fauna pôr
todos os países. São bem poucos os que podem
e conseguem fazê-la com êxito tanto devido ao
custo altíssimo em que implica, como também
devido a dificuldade de conseguir determinados selos.
Assim para adequar a coleção as medidas do
possível , os roteiros limitam as aquisições
apenas ao que se quer abordar. Os gastos serão bem
menores porém os estudos , as pesquisas e as buscas
irão exigir mais esforços do colecionador.
Na fauna o colecionador poderá optar por montar uma
coleção mais científica dando a seqüência
de toda divisão dos animais por espécies. Não
precisará
ter todos os selos emitidos sobre fauna, mas deverá ter
exemplos bons e bem definidos de todas as espécies.
Um bom livro de biologia
é imprescindível neste trabalho .Não é fácil,
mas vale a pena. Outra forma de abordar a fauna de maneira
científica
é formando uma cadeia ecológica com os vários
níveis de predadores. Ou, então, uma cadeia
evolutiva, a partir dos animais pré-históricos.
Pode-se também ver a fauna sob o aspecto geográfico,
dissertando com selos sobre os animais dos cinco continentes
e dando características de seus habitats naturais.Uma
forma romântica de abordar a fauna seria explorar o
relacionamento do homem com os animais, os úteis,
os nocivos, os animais de estimação, os mitos,
etc.
Também podemos tomar uma única espécie
e estudá-la em todos os seus aspectos. Por exemplo:
o gato e a partir dele fazer sua cadeia evolutiva, sua cadeia
ecológica suas várias espécies de acordo
com as diversas regiões, seu significado na vida do
homem e assim por diante, fica uma coleção
interessantíssima. Pode-se fazer o mesmo tipo de coleção
com qualquer espécie de animal.
Podemos
escolher um outro assunto, como a pintura, por exemplo
e abordá-la de uma maneira histórica, com a
sucessão das várias fases que predominaram
no transcorrer da história do homem. Ou pode-se estudar
os grandes mestres e suas obras. Ou fazer uma análise
de uma única escola. Ou então uma comparação
da pintura nos diversos países . Há pintores
que sozinhos já dão uma coleção
maravilhosa, como Rubens que teve muitas emissões
em sua homenagem.
O
colecionador deve escolher um tema sobre o qual tenha algum
domínio ou que lhe seja familiar, para saber pelo
menos de onde partir em sua pesquisa.Geralmente as pessoas
escolhem temas mais ou menos ligados a sua profissão
ou a algum elemento especial de sua predileção.
Se o colecionador enveredar por um caminho que lhe é totalmente
desconhecido ou que não seja exatamente aquilo que
gosta, só
porque a coleção pode ser bonita ou está na
moda, a pesquisa torna-se enfadonha , a escolha dos selos,
como também as dificuldades de estudo e entendimento
serão muitas e todo o prazer de colecionar será anulado.
É importante
também que se tenha uma noção
mínima da quantidade de material existente e que se
poderá
obter para montar a coleção. Não adianta
querer colecionar algo cuja emissão seja muito restrita
e nem exista emissão de selos com elementos coligados.
Antes de começar a desenvolver qualquer tema é preciso
folhear os catálogos e fazer um levantamento dos selos
que poderão ser utilizados. Será muito difícil
também pretender que para ilustrar este ou aquele
aspecto da coleção seja usado determinado selo
que foi encontrado no catálogo e sair a procura dele,
ignorando os demais selos que também podem servir.
Devem existir muitas opções, pois as vezes
durante uma vida inteira de procura não se pode encontrar
um selo que se queira, principalmente se
é antigo e de algum país meio fora do comum
e pouco colecionado. Ninguém vai manter estoques de
países que não fazem parte da preferência
geral da maioria dos colecionadores, para atender em uma
ou outra ocasião ,a procura de um selinho. É
materialmente impossível e economicamente inviável!
O ideal, é o colecionador ir juntando todo o material
que possa servir a sua forma de abordagem para depois pensar
em como desenvolver o tema. Não é fazer como
alguns que primeiro fazem um roteiro e só depois é que
saem a procura dos selos para ilustrá-lo é evidente
que não irá encontrar quase nada do que precisam
e acabará fazendo uma coleção acanhada
e sem graça. A palavra coleção é
um coletivo e coletivo significa quantidade, assim sendo,
quanto mais selos e facetas se puder acrescentar a uma coleção
muito melhor e mais bonita ela ficará. Coisas muito
medidas dão idéia de pobreza .Não condiz
com o belo, que é
o que se procura numa coleção.
Por mais familiarizado que esteja o colecionador com o tema
escolhido, o estudo e a pesquisa são imprescindíveis
para que se possa fazer um bom trabalho .Colecionar é acrescentar
não
é só ter uma porção de selos. É acrescentar
o espírito e o conhecimento à coleção
e acrescentar a coleção ao próprio espírito
e conhecimento crescendo junto com ela .No começo
pode parecer difícil mas depois do impacto inicial
as idéias irão fluindo naturalmente e a coleção
irá acontecendo como que por magia.
Não é bom ir acumulando, acumulando, para começar
a montagem um dia quando houver tempo para fazer tudo de
uma vez. Esse dia jamais chegará , sempre haverá alguma
coisa mais importante que precisa ser feita antes. O trabalho
fracionado é milagroso! Um pouquinho a cada dia, com
hora marcada e método. Que se faça uma única
folha ou mesmo meia folha por dia e quando menos esperamos
estamos com um álbum maravilhoso já feito.
Para este trabalho de ir fazendo as folhas, o computador é um
aliado fantástico, tem mil e um recursos que nos permitem
fazer coisas lindas. Mas na falta de um computador, régua,
esquadro, canetas de desenho e uma máquina de escrever
também resolvem e fazem bonito.
Quem estiver montando uma coleção para concorrer
nas exposições oficiais, terá que obedecer
a determinadas regras, que vão desde a escolha dos
selos e peças filatélicas que serão
usadas, até as medidas e qualidade do papel para a
montagem. Uma das regras principais é no que diz respeito
aos textos que devem ser mínimos. O roteiro deverá ser
contado inteirinho com selos sendo permitidas umas poucas
palavras para explicar ou destacar melhor alguma coisa. Este
tipo de coleção temática
é muito difícil de ser feita, é preciso
muita prática e conhecimento. Quando porém
a coleção é
feita para o próprio prazer ou para mostras em escolas
, clubes e exposições não oficiais,
aí, a liberdade
é total. Deve , porém, haver um equilíbrio
entre texto e selos e peças filatélicas, predominando
sempre a menor quantidade de textos.
Aliás. os textos
mais sintéticos são mesmo melhores, provocam
mais impacto e aguçam a curiosidade. Mas deve haver
texto. A distribuição do texto na página
, também a faz mais bonita, quebra a monotonia. Se
houver uma página em que foi preciso usar muito texto
e poucos selos, a seguinte deverá conter muitos selos
e pouquíssimo texto. Os tópicos devem ser
bem explicados e ilustrados, o encadeamento dos tópicos
deverá ter uma seqüência lógica.
Deve ter começo, meio e fim. Deve começar com
uma proposição , ter uma explanação
que poderá ou não se abrir como um leque mas
deverá sempre terminar com uma conclusão, amarrando
o assunto. É claro, que o principiante deverá
fazer tudo de forma bem simples e resumida e depois, com
a prática e a experiência adquirida poderá partir
para uma coleção mais complexa. O importante é começar.