Quando
falamos em Coleção Representativa Universal,
estamos nos referindo a um tipo de coleção
que pode ser feito, com selos de todos os países,
porém, com uma determinada estrutura, repetindo-se
sistematicamente nos diversos países, como uma unidade
de trabalho, comum a todos . Não podemos falar em
coleção de selos sem falar em método.
Aliás, não podemos fazer nada, absolutamente
nada, que de certo, se não usarmos um método.
No mundo moderno e na nossa vida, já não existe
lugar colocações aleatórias, onde quer
que seja. Na maior parte das vezes o a falta de um sistema
adequado de trabalho, traduz-se por inutilidade, perda de
tempo e desperdício.
A
harmonia está na ordem da organização
sempre uniforme. Aliás, ate mesmo a nossa felicidade
está na ordem. Na ordem das
nossas idéias e dos nossos sentimentos, para haver
coerência com
as nossas mais profundas necessidades. A pessoa que vive
pulando de impulso em impulso, agora isto, amanhã aquilo,
no vai da valsa, como diziam antigamente, dificilmente poderá
ser feliz. "Sem lenço e sem documento..." é
bonito só na música do Caetano Veloso, nada
tem a ver com a vida, com a profissão e com nossas
outras atividades. A realidade, o dia a dia bem vivido, o
nosso trabalho bem feito, a satisfação de haver
criado ou produzido, a realização
de nossos objetivos principais, isto sim é que é felicidade.
Requer trabalho e sacrifícios, mas vale a pena!
Mas voltemos a nossa Coleção Representativa Universal, que também é parte
da felicidade de quem a faz e de quem a vê. Pois ver uma bela coleção é tão
bom quanto ver uma obra de arte e sensibiliza tanto quanto ouvir uma sinfonia.
Em meu livro, "Filatelia", falei sobre ela de forma muito generalizada,
pensando apenas em crianças e jovens iniciantes. Na verdade, eu mesma,
também a via assim, como uma espécie de introdução
aos princípios básicos da Filatelia. Com o passar do tempo, quando
fiz o "Guia de Países",
é que fui percebendo o alcance que teria uma coleção
que, pudesse ser um verdadeiro atlas histórico geográfico
de nosso planeta. Cheguei a conclusão que é algo importantíssimo,
de fazer muita gente grande, parar, para pensar diferente daquilo que
vinha pensando, quando via uma daquelas coleções meio
ingênuas e bagunçadas com um pouquinho de selos de cada
país.
A Coleção Representativa Universal, pode retratar o mundo em suas
diversas fases de evolução. Fronteiras que encolhem ou que se espalham,
países que surgem, outros que desaparecem, as guerras, as ocupações
militares, governos depostos, reinos que terminam, colonias mudando de donos,
zonas de determinada influência politica, voltando-se para outras bandas
enfim é
um modo perfeitamente possível de se reconstruir o grande drama
da humanidade em sua marcha ininterrupta através do
tempo.
É algo para começarmos hoje e nossos descendentes continuarem
acrescentando todas as modificações que forem surgindo. Este
sim, seria um legado precioso perpetuando nossa memória na família.
Um dia um jovem pai, poderá chegar ao seu garotão, já em
idade escolar, falando: " esta coleção que faço,
herdei de meu pai, que herdou do seu, que por sua vez recebeu do seu e assim
por diante até chegar
a quem a iniciou há uns 250 ou 300 anos , que poderá ser
você.
No tempo dele as coisas eram assim, depois foram ficando
deste jeito, já
no tempo do meu bisavô estavam bem mudadas e meu avô já
viu acontecer isto, meu pai acrescentou todas estas modificações
e eu já estou pondo estes novos países, que
antigamente faziam parte daqueles. Já pensaram na
emoção do
rapaz falando: este selo aqui, comemorou a passagem do ano
2000! Todo mundo pensava que iam acontecer catastrofes....
mudanças radicais....
Este aqui é o Pelé, era um jogador de futebol
brasileiro, o maior esportista do mundo no século
XX. Aquele ali, é
o Hitler, uma das grandes vergonhas da barbárie já quase
no final do segundo milênio. Dizia-se alemão,
mas era austríaco...bem esses países meu avo
disse....agora, estão estes no lugar. Mas e você,
filhote, como irá continuar?
Como irá
dar destaque à Grande Paz que se instaurou em 2295? À
cura de todas as doenças, aos festejos do amor universal?
Qual foi o país que mais contribuiu com a educação
moral das nações?
Vocês já devem ter percebido que para fazer uma coleção
dessas não é colocando um selinho qualquer de cada país.
O conceito da palavra Representativa quando diz respeito a um país , fala
no levantamento de uma amostragem do mesmo, por meio de elementos característicos
que possam dar a idéia da composição do seu todo em sua
dinâmica conjunta da estrutura, infra-estrutura e super-estrutura. Isso
significa que devemos colocar selos que falem da situação geográfica,
das paisagens, do clima, da vegetação, da fauna, do povo , da produção,
das artes, da história , mitos, lendas , personalidades importantes que
se internacionalizaram nas várias areas, da religião, das mudanças
políticas, governos, guerras, etc, Ë
muita coisa para ser dita a respeito de um único país
e para isso não podemos nos restringir a limites de quantidade
de selos, como fazem os principiantes, em geral meia folha ou uma folha
de classificador, com selos que as vezes nem são demonstrativos
de alguma característica própria do país.
Eu acho, que em primeiro lugar devemos procurar nas enciclopédias uma
síntese de cada país. É bobagem partir logo num primeiro
momento para uma pequisa profunda, esta irá acontecendo naturalmente a
medida que formos tomando gosto e avançando na coleção.
Nada deve ser forçado ou envolver obrigação, caso contrário
a coleção perderá a sua primeira proposição
que é o lazer. O gostoso é ir procurando os selos, arrumando-os
segundo seu próprio roteiro de montagem e falando realmente com selos,
tudo quanto se puder sobre o país, sem pensar em catálogos, ordens
cronológicas de emissão e essas coisas que bitolam demais a criatividade.
Também não é preciso exagerar.não é
obrigatório colocar todas as séries que existem sobre
determinado personagem, nem todas as séries de fauna, flora,
basta por um pouco de cada coisa, mas colocar de tudo que seja marca
distinta de um país. Já pensaram em representar o Brasil,
sem um Cristo Redentor, sem Pedro Alvarez Cabral, sem a pintura de
Portinari ou Di Cavalcanti? Um Brasil sem Mico Leão Dourado,
Saci Pererê, Cataratas do Iguaçu, D. Pedro I ? E que dizer
de não colocar a imagem do nosso primeiro selo ? Um Brasil sem
Carnaval, sem praias maravilhosas, borboletas e flores....e tantas
outras coisas só
nossas ? O mesmo deve ser pensado em relação aos demais
países. Cada um tem suas riquezas naturais, sua beleza
e sua gente, cada um e um universo diferente do outro.
Não é fácil, eu sei, não é barato, isso também
eu sei, mas acho que a satisfação de ter o mundo inteiro nas prateleiras
de casa, feito por nós mesmos, vale qualquer sacrifício. Porque
esta é uma coleção com conteúdo, uma coleção
com um sentido muito maior que o de simplesmente colecionar selos. Mesmo as pessoas
que não sentem o mesmo amor que nós, filatelistas sentimos pelos
selos, irão gostar e se interessar. Os filhos com certeza irão
sentir prazer em continuar, porque não vai ser só juntar papeizinhos,
como dizem alguns quando se referem ao hobbie dos pais. Vai ser documentar o
mundo para a posteridade, com a grande vantagem de poder arquivar tudo em pouco
espaço e ao mesmo tempo criar uma obra de arte.
As emissões modernas facilitam muito este tipo de coleção,
a maior parte dos países países atualmente, fazem selos bonitos,
de boa qualidade e, ao mesmo tempo, bem orientados no sentido de contar sobre
suas próprias coisas. A melhor montagem é, sem dúvida alguma,
em folhas previamente preparadas no computador, com margens, molduras, títulos
e pequenos textos explicativos. O ideal seria o uso dos protetores incolor para
fixar os selos. Os protetores de fundo preto são vistosos mas em folhas
com textos e molduras ficam muito pesados, além disso, os cortes nunca
são lá
muito simétricos e paralelos aos selos, qualquer lado um pouquinho
mais torto já iria ser percebido; com o protetor incolor, não
existe tal problema, tudo parece sempre estar perfeito. Na falta de
tempo para tratar de uma montagem definitiva logo de início,
o ideal, são os classificadores com folhas removíveis,
para não se estar tendo que remontar tudo, a cada vez que aparece
alguns selos interessantes de um país, é só acrescentar
uma nova folha para o país em questão, sem precisar mexer
no que vem logo a seguir. Se houver a possibilidade, pois fica bem
mais caro, o uso de um classificador para cada país também
é interessante, por dar mais facilidade de manuseio.
Qualquer
que seja a forma escolhida, para a montagem a coleção
ficará bem mais atrativa, se for feita só com
selos novos, usando selos carimbados apenas quando esses
carimbos estiverem também mostrando
alguma coisa ocorrida no país, ou seja uma data especial,
uma comemoração,
um fato ocorrido, enfim, coisas que façam parte daquilo
que se quer por em destaque. Não é preciso
usar os selos clássicos que são
caros e difíceis de se obter em bom estado. Pode-se
ilustrar perfeitamente bem as primeiras emissões do
país, com os selos comemorativos abordando
essas emissões clássicas; quase todos os países
as tem. Também quando se fala em uma guerra, não
há
necessidade de se colocar o selo emitido durante a mesma,
existem os comemorativos abordando o assunto, com um visual
muito mais bonito e significativo. Envelopes de primeiro
dia ou circulados e máximos
postais, também irão enriquecer a coleção.
Também quando se fala em uma guerra, não há necessidade
de se colocar o selo emitido durante a mesma, existem os
comemorativos abordando o assunto, com um visual muito mais
bonito e significativo. Nesta coleção não
estamos nos preocupando com o valor do selo na história,
mas com o valor da história
no selo. Portanto, quando uma coisa é comemorada,
historicamente
é muito mais importante para nossa coleção,
do que uma ocorrência esquecida pelo próprio
país
em suas emissões posteriores.