A
folhinha filatélica, ao contrário dos blocos
e das folhas miniaturas, não tem valor para franquiamento
postal. Sua existência se deve a características
especiais, muito pouco filatélicas ou postais.
Angelo
Zioni, um dos maiores estudiosos brasileiros do selo e
seus assemelhados, definia a folhinha como um pedaço
de cartolina de formato variável, tendendo para
o cartão postal, na qual, além de legendas
e desenhos relacionados com um acontecimento, aplica-se
um selo que será
obliterado por meio de carimbos ligados ao acontecimento.
As
folhinhas surgiram como iniciativa de particulares (clubes
ou entidades filatélicas), sem nenhuma relação
com os correios embora, às vezes, apresentassem
legendas postais. O antigo Departamento dos Correios e
Telégrafos (DCT) resolveu autorizar a emissão
de algumas destas folhinhas particulares, que passaram
a ostentar uma legenda com o nome do departamento. Porém,
foram tantos os abusos cometidos que o DCT resolveu abolir
o costume e passou, ele mesmo, a emitir as peças,
agora chamadas folhinhas oficiais. Nestas, em sua maioria,
o selo era impresso no próprio cartão, não
sendo necessário colar o selo adesivo.
A
primeira folhinha que surgiu no Brasil foi a que comemorava
a Semana Pró-Juventude, emitida em 26 de fevereiro
de 1940 (RHM A-1). De iniciativa particular e oficializada
pelo DCT, a folhinha foi vendida sem os selos, podendo
o colecionador colar os mesmos em qualquer ordem dentro
dos quatro espaços reservados, criando assim folhinhas
diferentes que variavam pela posição dos
selos.
Seguiram-se
outras como a do Decênio do Governo Vargas, do Centenário
dos Olhos de Boi, da Exposição Brapex II,
até chegar
à primeira folhinha de emissão oficial, comemorando
o Centenário do Barão do Rio Branco, em 20
de abril de 1945 (RHM 0-1). Também vendida sem os
selos, não havia exigências para que o colecionador
usasse apenas um, ou dois, ou três, ou quantos selos
quisesse da série de três selos emitidos para
comemorar o centenário do chanceler (RHM 197 e A 59/60).
Deste modo foram possíveis diversas variantes desta
folhinha oficial, que, por este motivo, foi objeto de grande
celeuma no meio filatélico da época.
Interrompida
em 1946 a emissão de folhinhas oficiais e em 1949
a de autorizadas, voltou o DCT a emitir em 1963, uma folhinha
oficial comemorando o Tricentenário dos Correios
(RHM 0-12), retornando e estendendo a prática até
1966, quando definitivamente deixaram de ser emitidas as
tão controvertidas peças.
|