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Site Atualizado em 17/04/2008
Correio Rodoviários
Mario Xavier Jr. - Presidente da Sociedade Philatélica Paulista

Com este título, José Leandro de Barros Pimentel publicou, em 1962, um artigo dando conta da instalação, naquele ano em São Paulo, de um serviço de transporte de correspondência por ônibus intermunicipais ou interestaduais.

Pimentel informava que o novo serviço instituia, pela primeira vez no Brasil, um "Correio Rodoviário".

Na verdade, o Correio Rodoviário em São Paulo era a execução prática, com relação ao transporte rodoviário, do Decreto-Lei nº 3.326 de 3 de junho de 1941, em pleno governo Vargas, que instituiu a obrigatoriedade do transporte de correspondência por todas as empresas de transporte geral, publicado no Diário Oficial da União, de 5 de junho do mesmo ano.

Mas muito antes disso, existiu um primeiro serviço de correio rodoviário no país. Áureo G. Santos em artigo publicado no "Bahia Filatélico", em dezembro de 1954, relata a história de Antônio Justino do Nascimento, então proprietário de uma empresa rodoviária de transportes, denominada "Rede Viação Seridoense", que desde 1922 fazia a linha de Natal a Caicó, no Rio Grande do Norte, com seus caminhões e mistos. Os "mistos" eram caminhões adaptados para o transporte de passageiros e cargas, muito comuns no Nordeste, naquela época.

A linha saía de Natal passando por Macaíba, Bom Jesus, Serra Caiada, Santa Cruz, Campo Redondo, Currais Novos ( nessa agência deixava as malas de Cerro Corá, São Vicente e Flores ), Acarí ( nessa agência deixava as malas de Cruzeta, São José do Seridó e Equador ), Carnaúba dos Dantas, Parelhas, Jardim do Seridó ( e a mala para Ouro Branco ) e Caicó.

O sr. Justino era solicitado, em todo o percurso, para transportar cartas avulsas para as diversas cidades e localidades do caminho. Percebeu então que não era certo levar as cartas sem que o remetente pagasse a selagem. Passou a comprar selos e ia selando as cartas que recebia. Na falta de um carimbo inutilizava os selos com riscos de lápis ou tinta. As cartas não procuradas eram por ele entregue às agências de correio das cidades do percurso.
Em 1933 recebeu autorização do Diretor Regional, válida por 3 anos, para continuar conduzindo malas de correio no trajeto de sua linha "mista". Em 1938, recebeu nova autorização que prorrogava a "concessão", muito embora não tivesse havido solução de continuidade no transporte de malas.

Por volta de 1939 o sr. Justino solicitou ao Diretor Regional um carimbo para aplicar na correspondência. O Diretor concedeu a autorização e forneceu os dizeres. Por conta própria, Justino mandou confeccionar o carimbo na mesma fábrica, situada à rua Felipe Camarão, em Natal, que preparava os carimbos de borracha dos Correios.

Justino mandou fazer apenas um carimbo para o uso postal. Porém utilizava-se de outro, de formato oval, para carimbar o talonário de passagens. E frequentemente aplicava o carimbo postal nos talões de passagens.

É interessante notar que Justino prestava esse serviço sem receber qualquer remuneração. Assim agia, porque gostava de fazer algo que julgava útil e por simpatizar com a tarefa de ser uma espécie de carteiro...

Não se conhece qualquer carta obliterada com o carimbo do sr. Justino, porém Áureo G. Santos menciona a existência do carimbo sobre um par de selos Fé e Energia (série Vovó, 200 rs, roxo).

Ainda antes do Correio Rodoviário de São Paulo, e já depois do Decreto Lei 3.326, foram usados dois carimbos pela Agência da Turma Postal Rodoviária instalada na Estação de Ônibus anexa à Feira Permanente de Amostras de Belo Horizonte. Esta agência era encarregada da fiscalização dos serviços de transporte de correspondência por ônibus, efetuados por força do citado Decreto Lei. Foram usados a partir de 15 de agosto de 1941. Não se tem informação sobre a duração desta agência, mas se conhece uma carta obliterada em 6 de março de 1945.

O Decreto Lei 3.326, de 3 de junho de 1941, diz:

"Artigo 2º
. 1º - O transporte será, igualmente, obrigatório e gratuito nas estradas de ferro, companhias ou empresas de navegação ou de tráfego rodoviário que gozem de tratamento especial, benefícios ou favores da União, dos Estados e dos Municípios."

E mais adiante:

"Artigo 6º"
. 2º - Nos ônibus, caminhões, ou outros veículos a motor, utilizados no tráfego rodoviário, a que se refere este artigo, quando conveniente ao serviço postal, será colocada, às expensas do Departamento dos Correios e Telégrafos, caixa destinada à coleta, em viagem, de cartas e cartões postais e, bem assim, uma flâmula com o emblema do Serviço Postal e as iniciais S.P."

Em São Paulo, em 1962, coube ao Diretor Regional do DCT, sr. Francisco Gonçalves Neto, por em execução o que autorizava o Decreto, possivelmente para aproveitar a expansão do transporte rodoviário, fruto do desenvolvimento da indústria automobilística implantada no governo Kubitschek e da deterioração e decadência do transporte ferroviário nacional.

A modalidade do serviço implantado permitia ao próprio usuário postar sua correspondência nas caixas coletoras existentes na porta de entrada dos veículos. As cartas, naturalmente, deveriam estar seladas. Em chegando o ônibus na cidade terminal da linha, lá estava um funcionário do correio coletando a mala ou as cartas e em seguida providenciando a distribuição aos destinatários.

Somente eram admitidas, como determinava o Decreto, cartas e cartões postais, correspondência classificada como de "primeira categoria", com porte simples e via de superfície. Nada de pacotes, cartas aéreas, registradas ou qualquer outro tipo.

O serviço atendia somente às cidades iniciais e terminais da linha de ônibus determinada. Não transportava correspondência para cidades intermediárias. Nestas, somente eram coletadas cartas destinadas às cidades iniciais ou terminais da linha.

Para a instalação e funcionamento do Correio Rodoviário foi criada uma Agência Especial situada na Estação Rodoviária de São Paulo, com um chefe e 14 funcionários, trabalhando das 5,30 horas da manhã até as 24 horas.

O público podia se utilizar da Agência da Estação Rodoviária para colocar suas cartas destinadas a qualquer parte e a própria Agência se incubia de fazer a distribuição pelos ônibus competentes. Nas cidades do interior, as agências de correio faziam o mesmo serviço. O usuário podia, também, aguardar a passagem do ônibus para postar sua carta. Quando postada na agência, antes do ônibus sair, a carta era obliterada com o carimbo da agência; porém, quando colocada diretamente na caixa de coleta do ônibus, era obliterada pelo carimbo da agência de destino.

A partir de 3 de janeiro de 1962 foram inauguradas várias linhas do Correio Rodoviário, todas partindo de São Paulo. Foram elas:
Em 3 de janeiro: Lindóia, Águas de Lindóia, Piracicaba, Rio Claro, Santos, São Vicente e Serra Negra;
Em 19 de janeiro: Marília e Garça;
Em 22 de janeiro: Pouso Alegre e Varginha (em Minas Gerais);
Em 8 de fevereiro: Atibaia, Bragança Paulista, Morungaba e Amparo;
Em 5 de maio: Ribeirão Preto e Uberaba;
Em 11 de maio: São José dos Campos, Aparecida do Norte, Guaratinguetá, Campos do Jordão e Paraisópolis ( em Minas Gerais);
Em 20 de julho: São João da Boa Vista;
Em 1 de agosto: Caraguatatuba, São Sebastião, Ilha Bela e Ubatuba;
Nesta data também foram inauguradas as linhas intermediárias de Taubaté a São Luiz do Paraitinga e Ubatuba e São José dos Campos a Caraguatatuba e São Sebastião.

O Correio Rodoviário de São Paulo foi desativado quando um novo Diretor Regional assumiu o posto, por volta de 1963. Não se tem conhecimento de documentação oficial à respeito.

Pimentel cita a existência, até a data de seu trabalho, de apenas cinco carimbos próprios para o serviço rodoviário: São Paulo, Santos, Bragança, Atibaia e Piracicaba.

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