O
catálogo da Brasiliana 83 traz, nas páginas
finais, anúncio de importante firma européia,
de cujo texto se lê: "Fizemos a venda do famoso
envelope Blue Boy por 1 milhão de dólares,
o mais alto preço pago por uma peça filatélica".
O mesmo anúncio apareceu depois em um catálogo
de leilão da mesma firma apenas acrescentando
que, em termos de peso, o "Blue Boy" é o
objeto mais valioso do mundo!... Nosso vizinho do lado,
no plenário da Brasiliana, encabulou com aquele
anúncio porque não andava muito "por
dentro" dessa estória de Blue Boy, o que
nos leva agora a contar os fatos que se relacionam com
esse famoso envelope, um toque agora de filatelia romântica!
Sabemos
que em alguns países foram emitidos selos locais
antes do aparecimento do selo postal adesivo de circulação
geral. Eram selos que tinham poder de franqueamento somente
dentro dos limites da cidade. Daí
o nome de locais ou provisórios.
Dessa
forma são conhecidos selos locais de algumas cidades
americanas, precisamente 11 cidades, como Alexandria
(Va), Annapolis (Md), Baltimore (Md), Boscawen (NH),
Millbury (Mass.), New Haven (Com.) e outras mais como
New York, que também emitiu selo local.
Remontemos
agora a 1847, quando um jovem Sr. Hough - de Alexandria
(VA), cortejava uma moça residente em Richmond,
no mesmo Estado de Virgínia. Era a senhorita Jannet
Brown. É claro que as juras de amor andavam pelo
correio numa assídua troca de cartas... foi em
novembro de 1847 que Hough escrevia a Jannet perguntando
se o aceitava como esposo.
Logo
o casamento se realizou, e os Houghs viveram felizes
enquanto cresciam e casavam os dois filhos do casal.
Jannet Brown faleceu pelo fim do século XIX e
uma filha, já casada com um Sr. Fawcett, guardou
carinhosamente alguns pertences pessoais da mãe.
Num
dia de novembro de 1907, a filha, nessa época
já viúva de Fawcett resolveu "limpar
as gavetas" e entre aqueles pertences encontrou,
amarrado caprichosamente com um belo cordão colorido,
num pacote de cartas, toda a correspondência trocada
por seus pais, ainda namorados.
Pois
bem. O envelope de 1847 em que Hough fazia o pedido de
casamento estava selado com um selo redondo azul, e impresso,
o nome "Alexandria".
Embora
Mrs. Fawcett não fosse bem familiarizada com a
filatelia, sabia que os selos antigos eram sempre procurados
por colecionadores. Procurou um amigo que lhe forneceu
o endereço de J.B. Bartels, negociante de selos
de Boston, a quem ela escreveu. Como Mr. Bartels retardasse
a resposta, ele remeteu o envelope com o tal selo azul
a um primo residente em Philadelphia. Nesse meio tempo
chegava a resposta de Bartels com uma oferta de três
mi dólares pelo seu achado, mas àquelas
horas o selo estava sendo vendido por preço coincidentemente
igual, a George H. worthington, colecionador de Ohio.
São
conhecidos seis exemplares do selo local de Alexandria,
mas nenhum deles de cor azul. Daí o apelido de
Blue Boy (o moço azul), como ficou conhecido no
mundo inteiro esta raridade filatélica.
Depois
que a coleção de Worthington foi leiloada
em 1916, o selo azul de Alexandria andou de mão
em mão, passou pela coleção de H.
C. Gibbson que o adquirira em 1922, depois pela famosa
coleção de Gaspary, também leiloada
em 1958, com uma renda total de 2.895.146 dólares.
em meio aos lotes de Gaspary lá estava o "moço
azul" de Alexandria...
É
comum que essas raridades vez por outra sumam. Foi assim
que o "magenta"
da Guiana passou 30 anos escondido no álbum de um
colecionador australiano até que "estourou" na
década de 70 em Miami. (do livro "Onda Filatélica",
do mesmo autor).