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Site Atualizado em 17/04/2008
O Blue Boy
Francisco Firmino de Araújo

O catálogo da Brasiliana 83 traz, nas páginas finais, anúncio de importante firma européia, de cujo texto se lê: "Fizemos a venda do famoso envelope Blue Boy por 1 milhão de dólares, o mais alto preço pago por uma peça filatélica". O mesmo anúncio apareceu depois em um catálogo de leilão da mesma firma apenas acrescentando que, em termos de peso, o "Blue Boy" é o objeto mais valioso do mundo!... Nosso vizinho do lado, no plenário da Brasiliana, encabulou com aquele anúncio porque não andava muito "por dentro" dessa estória de Blue Boy, o que nos leva agora a contar os fatos que se relacionam com esse famoso envelope, um toque agora de filatelia romântica!

Sabemos que em alguns países foram emitidos selos locais antes do aparecimento do selo postal adesivo de circulação geral. Eram selos que tinham poder de franqueamento somente dentro dos limites da cidade. Daí o nome de locais ou provisórios.

Dessa forma são conhecidos selos locais de algumas cidades americanas, precisamente 11 cidades, como Alexandria (Va), Annapolis (Md), Baltimore (Md), Boscawen (NH), Millbury (Mass.), New Haven (Com.) e outras mais como New York, que também emitiu selo local.

Remontemos agora a 1847, quando um jovem Sr. Hough - de Alexandria (VA), cortejava uma moça residente em Richmond, no mesmo Estado de Virgínia. Era a senhorita Jannet Brown. É claro que as juras de amor andavam pelo correio numa assídua troca de cartas... foi em novembro de 1847 que Hough escrevia a Jannet perguntando se o aceitava como esposo.

Logo o casamento se realizou, e os Houghs viveram felizes enquanto cresciam e casavam os dois filhos do casal. Jannet Brown faleceu pelo fim do século XIX e uma filha, já casada com um Sr. Fawcett, guardou carinhosamente alguns pertences pessoais da mãe.

Num dia de novembro de 1907, a filha, nessa época já viúva de Fawcett resolveu "limpar as gavetas" e entre aqueles pertences encontrou, amarrado caprichosamente com um belo cordão colorido, num pacote de cartas, toda a correspondência trocada por seus pais, ainda namorados.

Pois bem. O envelope de 1847 em que Hough fazia o pedido de casamento estava selado com um selo redondo azul, e impresso, o nome "Alexandria".

Embora Mrs. Fawcett não fosse bem familiarizada com a filatelia, sabia que os selos antigos eram sempre procurados por colecionadores. Procurou um amigo que lhe forneceu o endereço de J.B. Bartels, negociante de selos de Boston, a quem ela escreveu. Como Mr. Bartels retardasse a resposta, ele remeteu o envelope com o tal selo azul a um primo residente em Philadelphia. Nesse meio tempo chegava a resposta de Bartels com uma oferta de três mi dólares pelo seu achado, mas àquelas horas o selo estava sendo vendido por preço coincidentemente igual, a George H. worthington, colecionador de Ohio.

São conhecidos seis exemplares do selo local de Alexandria, mas nenhum deles de cor azul. Daí o apelido de Blue Boy (o moço azul), como ficou conhecido no mundo inteiro esta raridade filatélica.

Depois que a coleção de Worthington foi leiloada em 1916, o selo azul de Alexandria andou de mão em mão, passou pela coleção de H. C. Gibbson que o adquirira em 1922, depois pela famosa coleção de Gaspary, também leiloada em 1958, com uma renda total de 2.895.146 dólares. em meio aos lotes de Gaspary lá estava o "moço azul" de Alexandria...

É comum que essas raridades vez por outra sumam. Foi assim que o "magenta" da Guiana passou 30 anos escondido no álbum de um colecionador australiano até que "estourou" na década de 70 em Miami. (do livro "Onda Filatélica", do mesmo autor).

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